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terça-feira, 27 de agosto de 2013


Estudo conclui que existem traços ligeiros de autismo em raparigas com anorexia

 

Através da medição de três quocientes, investigação concluiu existirem semelhanças quando à obsessão por sistemas e detalhes.

Um estudo realizado com raparigas anorécticas revelou que estas manifestaram comportamentos com características ligeiras de autismo, o que pode abrir caminho a novos métodos de tratamento de pessoas que sofrem deste distúrbio alimentar. Segundo Simon Baron-Cohen, que liderou a equipa do Centro de Investigação de Autismo da Universidade de Cambridge, que realizou o estudo, “a mente de uma pessoa com anorexia pode partilhar muito com a mente de uma pessoa com autismo”.

Para esta investigação foram analisados dois grupos de adolescentes. Um com 66 raparigas com anorexia confirmada clinicamente, com idades entre os 12 e os 18 anos. Um segundo grupo era formado por 1609 adolescentes sem o distúrbio alimentar, com o mesmo intervalo de idades. Ambos foram submetidos a testes de medição dos quocientes do espectro de autismo, de sistematização e de empatia.

Quando comparadas com raparigas sem qualquer perturbação no quociente do espectro de autismo, as adolescentes anorécticas mostraram um número de traços autistas acima da média. O mesmo se passou ao ser analisado o seu interesse em repetição de padrões e sistemas com regras previsíveis. Ficaram, no entanto, abaixo da média quanto à empatia, uma característica semelhante, ainda que menos pronunciada, ao verificado em pessoas com autismo.

Segundo o estudo, divulgado esta terça-feira, estas conclusões sugerem que as duas disfunções podem ter em comum traços subjacentes. Simon Baron-Cohen, citado no comunicado publicado pela Universidade de Cambridge, sublinha que “tradicionalmente, a anorexia tem sido vista apenas como um distúrbio alimentar”. O especialista em autismo diz tratar-se de uma conclusão “razoável”, uma vez que “o perigo do baixo peso e o risco de malnutrição ou mesmo morte tem que ser a principal prioridade” em casos de anorexia.

Mas Baron-Cohen argumenta que há novos dados que podem mudar a forma como deve ser abordado um determinado caso de anorexia. “Esta nova investigação sugere que subjacente ao comportamento superficial, a mente de uma pessoa com anorexia pode partilhar muito com a mente de uma pessoa com autismo”.

Semelhanças
O investigador realça depois algumas semelhanças encontradas no estudo, nomeadamente o facto de na anorexia e no autismo existir “um forte interesse em sistemas”. No caso das raparigas com anorexia, estas adoptam sistemas rotineiros centrados no peso, alimentos ingeridos e estrutura do corpo. Surgem assim traços semelhantes quanto à existência de comportamentos e atitudes rígidas ou a obsessão com os detalhes.

Bonnie Auyeung, um dos elementos da equipa que realizou o estudo, sublinha outra das conclusões que podem ser retiradas deste trabalho. A especialista, que trabalha no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, realça que o autismo é “diagnosticado mais frequentemente nos homens” mas que a “proporção de mulheres com autismo pode estar a ser negligenciada ou mal diagnosticada, por serem casos que chegam às clínicas com sendo de anorexia”.

E de que forma o estudo agora apresentado pode ajudar? Tony Jaffa, outro dos responsáveis pela investigação, explica que, por exemplo, nas anorécticas pode tentar alterar-se os seus interesses obsessivos pelo peso e dietas para uma forma equilibrada de trabalhar o modo como vêem o corpo. “Reconhecer que alguns doentes com anorexia podem também precisar de ajuda com competências sociais e de comunicação e na adaptação à mudança, também nos dá um novo ângulo de tratamento”, defende.

Notícia do Público de 6 de Agosto de 2013.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Novos Critérios Diagnósticos para Transtorno do Espectro do Autismo

Novos Critérios Diagnósticos para Transtorno do Espectro do Autismo

 
A última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-V, inclui algumas mudanças significativas para os critérios diagnósticos para o autismo, agrupando várias doenças que anteriormente estavam separadas..
 
 

►Novos Critérios Diagnósticos para Transtorno do Espectro do Autismo

Quando um médico ou psicólogo apontam para ujm diagnóstico de autismo,, tais profissionais comparam o comportamento do indivíduo com os critérios estabelecidos no DSM. Se o comportamento se encaixa na descrição listados no texto, então o indivíduo pode ser diagnosticado com um Transtorno do Espectro do Autismo.

A nova revisão do DSM incluída uma definição diferente de TEA (ASD em inglês). Para ser diagnosticado com TEA, o indivíduo deve  exibir sintomas que começam na infância precoce, e esses sintomas devem comprometer algumas das suas capacidades em função da sua vida e do dia-a-dia.

►Os déficits sociais e de comunicação
Um diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo, geralmente é apresentado, quando o indivíduo apresenta, cumulativamente, três  défices:

● Problemas de interação social ou emocional alternativo - Isso pode incluir a dificuldade de estabelecer ou manter o vai-e-vem de conversas e interações, a incapacidade de iniciar uma interação, e problemas com a atenção compartilhada ou partilha de emoções e interesses com os outros.
● Graves problemas para manter relações - Isso pode envolver uma completa falta de interesse pelo outro, as dificuldades de jogar fingir e de se envolver em atividades sociais apropriadas à idade e problemas de adaptação a diferentes expectativas sociais.
● Problemas de comunicação não-verbal - o que pode incluir o contato anormal dos olhos, postura, expressões faciais, tom de voz e gestos, bem como a incapacidade de entender esses sinais não-verbais de outras pessoas.

►Comportamentos repetitivos e restritivos
Além disso, o indivíduo deve apresentar pelo menos dois destes comportamentos:
● Apego extremo a rotinas e padrões e resistência a mudanças nas rotinas
● Fala ou movimentos repetitivos
● Interesses intensos e restritivos

  Dificuldade em integrar informação sensorial ou forte procura ou evitar comportamentos de estímulos sensoriais

DSM-V Mudanças para desordens do espectro autista

A última revisão do DSM, publicado em maio de 2013, apresenta mudanças significativas para a definição de autismo.

Um Transtorno, ao invés de cinco...
Anteriormente, havia cinco transtornos do espectro do autismo, cada um dos quais tinha um diagnóstico único: Transtorno Autista ou autismo clássico, Transtorno de Asperger ,Transtorno Invasivo do Desenvolvimento - Sem Outra Especificação ( PDD-NOS ), Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância...

A partir de agora, e com o DSM - V,, esses transtornos são
incluídos no diagnóstico de "Transtorno do Espectro do Autismo.", à exceção do Síndrome de Rett , que é considerado uma entidade própria e deixará de ser parte do espectro do autismo.
De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria DSM-V Development Team , os padrões para o diagnóstico de transtornos do espectro do autismo mudaram por várias razões:
● Embora seja possível distinguir claramente a diferença entre as pessoas com TEA’s e aqueles com o funcionamento neurotípico, é mais difícil de diagnosticar os subtipos válidos e consistentes.
● Uma vez que todas as pessoas com transtornos do espectro autista exibem alguns dos comportamentos típicos, é melhor para redefinir o diagnóstico por gravidade do que ter um rótulo completamente separado.
● Um único diagnóstico de TEA reflete melhor o atual pesquisa sobre a apresentação e patologia do autismo.

Alterações principais e critérios diagnósticos

A versão anterior do DSM tinha três critérios principais para diagnóstico:
● Desafios de Linguagem
● Déficies sociais
● Comportamentos estereotipados ou repetitivos

O novo DSM terá apenas duas áreas principais:
 
● comunicação social;
 
 déficies e os comportamentos fixos ou repetitivos

O DSM-V DevelopmentTeam explica que é difícil separar os déficies de comunicação e os déficies sociais, uma vez que estas duas áreas se sobrepõem de forma significativa. A comunicação é frequentemente utilizado para fins sociais, e os défices de comunicação podem afetar drasticamente o desempenho social.

Os atrasos de linguagem não fazem parte do Diagnóstico

Anteriormente, um atraso de linguagem foi um fator significativo no diagnóstico de autismo clássico. Além disso, os indivíduos com Transtorno de Asperger não poderiam ter um atraso de linguagem, a fim de receber esse diagnóstico.

A nova versão do DSM não inclui atraso de linguagem como um critério para o diagnóstico., pois estes  podem ocorrer por muitas razões e não foram consistentes em todo o espectro do autismo, a Equipa de Desenvolvimento DSM-V sentiu que eles não devem ser considerados para o diagnóstico.


Estas mudanças podem afetar os autistas?

 ● A Associação Psiquiátrica Americana ainda não indicou que aqueles que já têm um diagnóstico de TEA poderão  manter tal diagnóstico. Isto significa que algumas pessoas podem precisar de ser reavaliadas para ver se cumprem os novos critérios.

●Aqueles com síndrome de Asperger, que deixarão de ser um diagnóstico,podem querer continuar a usar este rótulo para se descreverem. A comunidade de Asperger é bem estabelecida, e mudando o nome pode ser inconveniente e incómodo. Não está claro se esta desiganção continuará a ser usada informalmente.

●Os requisitos rigorosos para os sintomas centrais do TEA podem comprometer a juda, pois. critétérios mais rígidosdificultarão o diagnóstico de crianças pequenas, que podem ainda não evidenciar todos os sinais de autismo.

 Verdadeiramente um Espectro

Embora a definição de autismo tenha sido alterada, as características principais da doença permanecem as mesmas. Uma vez que as pessoas com todos os níveis de autismo apresentam muitas das mesmas características, embora seja variável o seu grau. os novos critérios DSM-V podem refletir melhor que o autismo é um espectro , ao invés de um grupo de doenças distintas, como até agora era entendido
.
Fonte:  Kate Miller-Wilson, Criteria for Autism in the DSM-V

segunda-feira, 17 de junho de 2013

 Cientistas portugueses criam jogo para ajudar
crianças autistas

 
 

            O jogo visa ser uma ferramenta terapêutica para ensinar crianças autistas a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais de um modo divertido e sem indução de stress.
            O jogo de vídeo, chamado LIFEisGAME, foi desenvolvido com base em nova tecnologia a três dimensões e pretende ajudar as crianças com autismo a reconhecer emoções.
            Em declarações à TSF, Verónica Orvalho, especialista argentina radicada em Portugal que lidera a equipa de investigadores da Universidade do Porto, explica que a ideia é que as crianças consigam aprender de um modo divertido e sem indução de stress a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais.
            O projeto da equipa multidisciplinar de investigadores em Ciências de Computadores e Ciências da Saúde da Universidade do Porto demorou três anos a ser desenvolvido.
            Contou com o contributo de especialistas da Faculdade de Psicologia e de associações como a Criar, que ajudaram a equipa de investigadores a desenvolver esta tecnologia.
            O protótipo do novo jogo representa um investimento superior a 230 mil euros, foi apoiado por várias instituições desde a Universidade do Porto, mas também pela Universidade do Texas e da Microsoft.
            O jogo de vídeo conta já com 170 interessados em conhecer esta nova ferramenta de trabalho, que vai ser apresentada na próxima terça-feira no auditório da Faculdade de Ciências do Porto.

Nesta página pode também ser  visualizado o vídeo de demonstração.

in TSF ,  9 de Junho de 2013.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Investigação associa alterações na placenta ao risco de autismo

Estudo de investigadores da Universidade de Yale está publicado na «Biological Psychiatry» (2013-04-26)

 





      



Os tratamentos contra o autismo são mais eficazes nos primeiros dois anos de vida.
       Os tratamentos contra o autismo são mais eficazes nos primeiros dois anos de vida. O problema é que, normalmente, a patologia só é diagnosticada aos três ou quatro anos de idade. Um grupo de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale apresenta agora os resultados de uma investigação em que se mostram procedimentos para a detecção precoce da doença através da análise da placenta no momento do nascimento do bebé.
       O estudo, que pode determinar qual o risco da criança vir a desenvolver a doença, está publicado publicado na «Biological Psychiatry».

       A presença de dobras irregulares no cordão umbilical e, especialmente, a proliferação irregular de um tipo de células chamadas trofoblastos (as primeiras que se diferenciam uma vez fecundado o óvulo e que formam a camada externa do blastómero) que aparecem onde não deveriam estar são dois dos factores a ter em conta.
       Até ao momento, o melhor indicador que existe para determinar se uma criança corre o risco de desenvolver este transtorno é a história familiar. Se o casal tiver já um filho com este transtorno a probabilidade de terem outro com o mesmo problema é nove vezes maior.
Para chegar aos dois marcadores descritos no artigo, os investigadores, liderados por Harvey Kliman, e cientistas do Instituto de Neurociências Mind, da Universidade da Califórnia em Davis, submeterem a estudo 117 placentas de bebés com irmãos autistas.
       Compararam os resultados das observações com os dados de outras 100 placentas (grupo de controlo). Nas placentas dos bebés considerados de risco encontraram-se até 15 inclusões de trofoblastos.
       Se estes indícios se confirmarem com um diagnóstico sólido, os especialistas recomendam uma intervenção precoce que consiste, basicamente, em sessões de tratamento comportamental. “É na idade mais precoce que a plasticidade cerebral é maior; assim, os resultados são também melhores. A terapia dirige-se, essencialmente, a potenciar as relações sociais, as capacidades comunicativas e a linguagem”, explicam os investigadores.
in Ciência Hoje, 29/04/2013.